10 dezembro 2006

Um dia diferente...

Titulo II - Papo de bar!

A necessidade que eu tenho de escrever está diretamente ligada ao meu estado emocional, quanto pior melhor!
Mas hoje é um dia diferente... Não estou triste, pelo menos não o suficiente para escrever algo interessante, que venha lá do fundo, que revele algo de mim!
Hoje é um dia diferente, quero escrever qualquer coisa que seja leve, suave, sem importância... Qualquer coisa!
Ontem passei a noite inteira discutindo sobre política e história (entre uma caipirinha e outra). O tema principal foi Getúlio Vargas!
Um assunto que para muitos pode ser chato, muito chato, mas foi muito divertido. Aliás, qualquer assunto entre amigos é divertido, e foi!
Ah, o passeio com os amigos foi uma sugestão! E por ontem deu certo!
Foi uma pausa à clausura!
Não lembrava como a noite era bonita, céu estrelado, movimento urbano, risadas (muitas), besteiras (várias)...
No início eu estava meio contrariada, travada, desconfortável... Depois, não muito depois, ah, depois foi tranqüilo, um assunto puxando outro, e eu não calei a boca a noite inteira, e por algumas (muitas) horas eu esqueci o que me atormenta.
O que me atormenta?? Ahhh, saber o que eu quero (ou preciso) para poder seguir adiante, não tão simples, mas também não tão complicado.
Então, sobre ontem à noite... Falei tanto que hoje me faltam as palavras, me falta a tristeza e já é tarde e estou com sono!
Mas antes de terminar preciso dizer que em algum momento da noite eu olhei para os lados e senti falta de alguma coisa, uma ausência se tornou presente e lembrei e lamentei...
Mas qual era o assunto da noite mesmo?
Getúlio Vargas! Então está explicado!!
Usando as palavras de Iran P. Moreira Necho, a conclusão da noite foi que "o pragmatismo político é indecifrável ante as típicas análises maniqueístas que separam o bem do mal."
Vou dormir, mas antes, por falar em dia diferente, pessoas diferentes assuntos diferentes, aí vai um texto bem apropriado e diferente!

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A Alma dos Diferentes
Artur da Távola

Ahhhh, o diferente.... esse ser especial!... Diferente não é quem pretenda ser. Esse é um imitador do que ainda não foi imitado, nunca um ser diferente.

Diferente é quem foi dotado de alguns mais e de alguns menos, em hora, momento e lugar errados para os outros, Que riem de inveja de não serem assim, E de medo de não aguentar, caso um dia venham a ser.

O diferente é um ser sempre mais próximo da perfeição. O diferente nunca é um chato. Mas é sempre confundido por pessoas menos sensíveis e avisadas.

Supondo encontrar um chato onde está um diferente, talentos são rechaçados; vitórias adiadas; esperanças mortas.

Um diferente medroso, este sim, acaba transformando-se num chato. Chato é um diferente que não vingou. Os diferentes muito inteligentes, percebem porque os outros não os entendem. Os diferentes raivosos acabam tendo razão sozinhos, contra o mundo inteiro.

Diferente que se preza entende o porquê de quem o agride. Se o diferente se mediocrizar, mergulhará no complexo de inferioridade. O diferente paga sempre o preço de estar - mesmo sem querer - alterando algo, ameaçando rebanhos, carneiros e pastores.

O diferente suporta e digere a ira do irremediavelmente igual, a inveja do comum, o ódio do mediano. O verdadeiro diferente sabe que nunca tem razão, mas que está sempre certo.

O diferente começa a sofrer cedo, já no primário, onde os demais, de mãos dadas, e até mesmo alguns adultos, por omissão, se unem para transformar o que é peculiaridade e potencial em aleijão e caricatura. O que é percepção aguçada em: "Puxa, fulano, como você é complicado". O que é o embrião de um estilo próprio em: "Você não está vendo como todo mundo faz?"

O diferente carrega desde cedo apelidos e marcações os quais acaba incorporando. Só os diferentes mais fortes do que o mundo se transformaram (e se transformam) nos seus grandes modificadores.

Diferente é o que vê mais longe do que o consenso. O que sente antes mesmo dos demais começarem a perceber.

Diferente é o que se emociona enquanto todos em torno, agridem e gargalham. É o que engorda mais um pouco; chora onde outros xingam; estuda onde outros burram. Quer onde outros cansam. Espera de onde já não vem. Sonha entre realistas. Concretiza entre sonhadores. Fala de leite em reunião de bêbados. Cria onde o hábito rotiniza. Sofre onde os outros ganham.

Diferente é o que fica doendo onde a alegria impera. Aceita empregos que ninguém supõe. Perde horas em coisas que só ele sabe importantes. Engorda onde não deve. Diz sempre na hora de calar. Cala nas horas erradas. Não desiste de lutar pela harmonia. Fala de amor no meio da guerra. Deixa o adversário fazer o gol, porque gosta mais de jogar do que de ganhar.

Ele aprendeu a superar riso, deboche, escárnio , e consciência dolorosa de que a média é má porque é igual.

Os diferentes aí estão: enfermos, paralíticos, machucados, engordados, magros demais, inteligentes em excesso, bons demais para aquele cargo, excepcionais, narigudos, barrigudos, joelhudos, de pé grande, de roupas erradas, cheios de espinhas, de mumunha, de malícia ou de baba.

Aí estão, doendo e doendo, mas procurando ser, conseguindo ser, sendo muito mais.

A alma dos diferentes é feita de uma luz além. Sua estrela tem moradas deslumbrantes que eles guardam para os poucos capazes de os sentir e entender. Nossas são moradas são tesouros da ternura humana. De que só os diferentes são capazes.

Não mexa com o amor de um diferente. A menos que você seja suficientemente forte para suportá-lo depois.

4 comentários:

nuno portmore disse...

Gosto dos dias em que não me tento explicar ou explicar-me tudo. Não me apetece tentar explicar porque razão amarguei em algumas palavras. Não me apetece tentar explicar a razão porque ao ler as tuas, senti o gentil apaziguar do mundo fundamentado, nesta mente que se questiona vezes demais.

Gosto muito de te ler. Durante alguns minutos, sento-me nesta bem redonda mesa, deste café decorado de palavras, peço uma “bica”cheia, bem cheia até ao limiar do possível para que não entorne, e enterneço-me, escuto um pouco do teu viver… e sou. Sou um amigo distante. E não procuro explicações. Nem com tão poucas palavras, nem com tão tempo, nem com o ressoar de alguns textos. Não me apetece.

Queria apenas dizer mais uma coisa, até porque não estou muito capaz de escrever.

São tão intensas e justificadas as coisas que nos atormentam, que cada segundo que passamos soçobrando, são minutos a menos justificando a vida que podemos viver. Aprendo isso, muito a custo. Amanhã vou manipular uma marioneta enorme, um gigante burro e azul, de voz lenta, profundamente despistada. E vai ser muito divertido. Muito. Um dia diferente... de tão igual.

Bjos

E obrigado

Luz da Lua disse...

Nuno!
Vamos combinar que eu sempre responderei às tuas reflexões aqui, pois na verdade eu só espero que tu leias as minhas. Mas quando eu quiser fazer as minhas reflexões sobre o que escreves, aí sim, vou lá visitar-te! Quero dizer, visitar-te eu vou sempre, mas nem sempre encontro palavras para fazer qualquer comentário, pois as tuas são... como posso dizer, hum... suficientes em si! Só as leio e é o que basta. Não sou alguém com muito a acrescentar... sequer tenho as minhas respostas, e sou tão errante que não me atreveria a compartilhar dos meus (des)conhecimentos! Só os sentimentos, e esses já estão compartilhados... e a partir de então venho me sentindo menos pesarosa!
Por isso, sempre agradeço a ti... um amigo oculto sim, distante não, pois a distância é algo relativo, e te sinto sempre tão perto, por isso um amigo... curioso mundo!
Agora compartilhando o meu viver...
Ao mesmo tempo em que me sinto intensa, me sinto profundamente superficial, e às vezes artificial!
E nessas vezes não sou eu, mas sim alguém que passa jogando um jogo arriscado, para não se arriscar! E pago caro por isso, mas vivo do único modo que aprendi a viver, ainda que desconfortável! Mas sou otimista, penso que um dia aprenderei outro modo e neste dia irei me desfazer de todos os escudos... não precisarei mais deles!
Enquanto isso eu escrevo e sinto, e leio... adoro as palavras... só recuso-me à impostura!
E gosto também do extraordinário, procuro ele em todo lugar, sobretudo nas coisas mais simples, porque preciso do ‘diferente’... eu que sou TÃO comum!
Já estava esquecendo... a sugestão para sair com os amigos foi tua... obrigada, deu certo, talvez experimente mais vezes, talvez, pois a rua me parece muito perigosa, sobretudo para pessoas distraídas como eu!
Bjos querido amigo!

nuno portmore disse...

Acho que vemos as coisas de forma semelhante. Era dificil não nos encontrarmos.

Bjos tb para ti... querida amiga.

Túlio disse...

estou retribuindo a visita! volte sempre! essa coisa de quanto pior, melhor... ou seja, quanto pior mais inspirado é pura verdade. acontece, infelizmente.