05 março 2010

Deixe a menina sambar em paz!


Quando eu era pequena, mas pequena mesmo, eu dizia que quando eu crescesse seria ‘dondoca’... Então eu cresci, mas beeeem pouquinho, e mudei de idéia: decidi pro resto da vida que seria ‘malandra’!

Eu ouvia dizerem a expressão “mulher de malandro” e adorava... Mas adorava o inverso da expressão, algo que criei, um conceito, uma proteção, uma armadura! Não sei por que, nem quem dizia, e nem porque raios eu fui escolher logo esse conceito pra me vestir pro resto da vida!

Desde então eu me ocupo em sempre parecer distante, à toa, à deriva, indiferente, boêmia, despretensiosamente sedutora... Mas paixão me aniquila, me estraga, eu me entrego (em silêncio pra não ser notada) aos pés de quem eu queira estar! Ao mesmo tempo em que carrego essa independência e irreverência de uma malandra, carrego também a dependência e exagero que uma mulher de malandro às avessas carrega na bolsa!

Às vezes eu penso em retomar o gosto por ser dondoca (mas isso não cabe nem na minha escrita, quanto mais na minha rotina); Outras vezes eu queria ser Amélia, mas pra ser Amélia de verdade é preciso talento, dom e quatro mãos... Eu tenho só duas, uma mais desastrada que a outra, elas só combinam o compasso quando o assunto é digitar.

Tento me despir desses meus conceitos, pra então poder viver tudo o que ainda não me é permitido, mas pele não é casaco!

Na verdade eu acho que eu sempre quis ser mulher de malandro na forma mais tradicional, e sempre soube que não haveria malandro no mundo que quebraria um (dês)encanto congênito, o problema é que desisti cedo demais, desisti antes do tempo, antes inclusive de tentar... antes!

A malandra, a mulher de malandro, a dondoca, a Amélia, todas essas talvez sendo a metáfora da menina e da mulher!

A menina é vaidosa e quer somente seduzir, e quando se sente encurralada ela foge, com um risinho de mulher no canto da boca!

A mulher é vaidosamente despretensiosa e se entrega sem medo.

Uma não vive sem a outra, uma completa a outra, elas não sabem disso, no momento estão no meio da rua em ruas paralelas, as duas em direção à esquina... ESPERO que quando elas cruzarem uma pela outra haja a tão esperada simbiose, que elas se reconheçam e enfim cumpram seu destino... todas numa só, todas por uma só!

Ao som de:
♪ Deixe a morena contente...
Deixe a menina sambar em paz ♪

Um comentário:

Srta Laís disse...

Acho que toda mulher tem um pouco de menina, de dondoca, de amélia... e pq não de mulher de malandro né! rsrs

gostei do texto!