25 março 2011

O silêncio de cada dia...

Embora esteja tudo aparentemente mais ou menos bem, fato é que existe um silêncio entre a gente que me assusta, me atormenta, e me faz infeliz!

Pode ser que esse silêncio seja necessário e vital pra saúde de tudo que está aparentemente mais ou menos bem, mas ignorar que ele me machuca não faz com que a ferida não exista, ou que muito frequentemente me cause uma dor tão intensa que a única coisa que não se mantém inerte em mim são as lágrimas, que caem com a mesma atividade de pipocas na panela!

Eu ando tão vulnerável e tão sensível (por todos os motivos fisiológicos e emocionais óbvios do momento) que um pinguinho que seja de dor já transborda, e se em segundos atrás eu parecia bem e feliz, ou/e contente e conformada, ou/e tranquila, a minha face muda, meu coração aperta, e a tristeza, que não raramente é enfiada pra baixo do tapete, insiste em se mostrar como se quisesse se esgotar pra não ter que voltar pra baixo do tapete, pq lá ela faz tudo parecer aparentemente bonito ou agradável, e nem a tristeza aguenta tamanha artificialidade... tristeza que quer passar tem que ser tristeza do início ao fim!

Nessas horas eu clamo baixinho por alguém que me faça acreditar que vai passar, pq só ter esperança fica tão sem sentido, tão abstrato, tão incerto... como tudo aqui tem sido!

E mesmo sabendo que uma hora essa 'sorte inversa' vai passar, pq sempre passa, pq comigo as coisas não são tão fáceis, mas sempre se encaixam de uma forma que adiante eu percebo que não poderia ter sido diferente, pq se fosse diferente não seria tão bom quanto foi ou poderia ser! Então, mesmo sabendo que ainda vai fazer sentido, e que vai ficar bem, tudo me parece tão distante, e eu gosto é dos remédios imediatos, até acredito na homeopatia, mas não aguento a espera!

Eu sei que pedir mais do que tu já me dispõe não é tão justo, ou correto, mas eu queria que tu não me deixasse tão sozinha assim neste momento. Não falo da companhia física que pode ser subsituída pela televisão... pq ouvir vozes não me deixa menos sozinha, e a tua companhia tem sido assim, como ligar a tv pra me distrair, e enquanto eu me distraio eu não penso, e não sinto, e não sofro, mas quando tudo se cala eu enxergo o vazio que sempre esteve ali, e a solidão que me encontro mesmo não faltando companhia.

Aliás, nunca me senti tão sozinha estando tão acompanhada... é que falta o conforto; falta o carinho sincero, honesto, especial, único, espontâneo...; falta a reciprocidade; falta o saber que não é a circunstância que nos mantém aqui, mas sim tudo aquilo que faz a falta e o vazio não terem espaço!

Eu não acredito que tu não entenda o que eu estou tentando falar, eu não acredito que eu sinta isso (esse vazio) sozinha... e só estou te dizendo essas coisas pq não sei como tu te sentes, e honestamente, gostaria de saber, mesmo que a tua realidade seja somente a 'circunstância que nos une', mesmo que a verdade que se esconde no nosso silêncio seja a minha próxima dor, mesmo que tu não ache que agora isso seja importante, mas é que eu sempre tenho urgência de tudo... ficar presa a incertezas nunca me fez bem, e eu nunca consegui fazer bem aos outros enquanto não estou bem, e tem tanta gente pequenina que depende do 'meu estar bem' que me sinto egoísta não implorando pra tirarmos a máscara de tudo que hoje tem aparência de mais ou menos bem, pra enfim, saber o que o futuro me aguarda, ou o que o futuro pode aguardar de mim...
Também não estou pedindo nada que seja definitivo, estou pedindo a tua verdade, estou pedindo um sinal que quebre o silêncio ensurdecedor que paira por aqui, ele fere meus ouvidos e outras coisas mais!

E queria que soubesses que estou te dizendo isso pq eu tenho curiosidade em saber como tu te sentes, mas talvez se eu perguntasse da forma convencional, tu iria tb responder de uma forma bem convencional... e sinceramente não precisamos de convenções, nem de cerimônias, e o único cuidado que eu peço que tenhas comigo é de ser honesto, pq nada mais me fere tanto do que a desonestidade aparentemente fantasiada de medo de machucar, ou de estragar o que está apenas e tão somente aparentemente bem ou bom... eu não quebro, sou bem mais forte do que aparento ser, a minha fraqueza é a incerteza!

Por enquanto são essas as palavras, o sentimento, as incertezas e o momento em que me encontro, e queria que soubesses que eu poderia, por toda a vida, ficar assim ao teu lado, pq apesar do silêncio me machucar, o teu carinho me cura, mesmo que momentâneamente, mas todos nós temos uma natureza que é o que nos caracteriza, nos diferencia, nos conceitua, que dá forma ao que somos, e não ao 'como estamos', e a minha natureza não me permite aceitar só isso, e a covardia nunca vai ser a desculpa que vou usar pra não quebrar o retratro de tudo aquilo que apenas e tão somente aparenta ser bom... eu gosto do que É, pq o que aparenta ser... NUNCA SERÁ!

2 comentários:

Loh disse...

Oi, parabéns pelo texto.
você escreve maravilhosamente bem, que nem dá vontade de parar de ler.
é lindo, eu me identifiquei tanto com ele. Expressou tudo o que eu sinto, tudo o que eu quero.
amei, de verdade.
beijos;

Um brasileiro disse...

ola. tudo blz menina? estive por aqui e gostei. muito interessante. apareça por la. abraços.