18 fevereiro 2026

Com amor, Mamãe

Meus filhos,
Gabriel, Yasmin e Isadora

Escrevo essa carta com o coração aberto, sem defesas, sem desculpas técnicas, sem justificativas. Apenas como mãe.

Houve um tempo em que eu não consegui estar como vocês mereciam. Houve dias em que as drogas falaram mais alto que a minha voz, mais presentes que o meu colo, mais fortes que o meu amor visível. E eu sei que isso gerou silêncio, medo, vergonha, raiva, confusão. Sei que, muitas vezes, vocês se sentiram sozinhos mesmo estando comigo.

Nada disso foi culpa de vocês. Nunca foi.

Hoje eu entendo que a dependência química é uma doença, mas também entendo que ela não anula a dor que causa. Por isso, não escrevo para explicar, escrevo para reconhecer. Reconhecer o sofrimento que vocês viveram. Reconhecer as lágrimas que talvez tenham escondido. Reconhecer o peso de serem filhos de uma mãe que, por um período, esteve ausente de si mesma.

Mas também escrevo para dizer algo com toda a força que existe em mim: eu nunca deixei de amar vocês. Mesmo nos dias em que eu estava perdida, o amor por vocês estava ali, soterrado, mas vivo. Foi esse amor que me puxou de volta. Foi pensando em vocês que eu busquei tratamento, que eu levantei, que eu escolhi ficar limpa, só por hoje, todos os dias.

Hoje eu sou outra mulher. Não perfeita, mas consciente. Presente. Responsável. E profundamente grata por vocês terem permanecido, cada um à sua maneira, mesmo quando era difícil permanecer.

Se eu pudesse, voltaria no tempo para segurar suas mãos em todos os momentos em que vocês precisaram de mim. Como não posso, eu escolho estar aqui agora. Inteira. Sincera. Aberta ao diálogo, ao afeto, às memórias difíceis e às novas memórias que ainda vamos construir.

Vocês não são marcados pelo meu passado. Vocês são livres. São fortes. São amor.

E eu sou, todos os dias, uma mãe em reconstrução - e em amor permanente por vocês.

Com amor, respeito e verdade,
Mamãe!

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