02 junho 2026

Em tempo de letrista...

Cidade em Frequência

(Verso 1)

No concreto molhado da avenida sem nome,
cada rosto carrega um universo que consome,
luz de mercúrio, buzina e oração,
um santo grafitado vigia a contramão.

A esquina vende sonho parcelado em prestação,
a alma pede calma, o mercado quer cifrão,
eu vi gigante cair por causa da própria ambição,
e vi quem não tinha nada repartir o próprio pão.

A rua fala alto, mas ninguém quer escutar,
todo mundo conectado sem saber se conectar,
o relógio corre solto, ninguém consegue frear,
e o futuro chega cedo sem pedir pra entrar.

(Pré-refrão)

Poeira sobe, o coração responde,
quem sabe onde a verdade se esconde?
O céu pergunta, ninguém responde,
mas a esperança ainda sabe o nome.

(Refrão)

Eu sigo na frequência da cidade e do tambor,
misturando cicatriz com perfume e com suor,
se a noite fecha portas, eu transformo em corredor,
porque quem nasce pra recomeço não se curva pra dor.

(Verso 2)

Tem guerreira levantando o mundo antes do amanhecer,
tem poeta sem plateia ensinando a viver,
tem criança desenhando um planeta pra crescer,
e adulto desaprendendo tudo pra reaprender.

No compasso da quebrada gira a roda do destino,
cada erro vira mestre quando encontra o raciocínio,
não existe linha reta no caminho do menino,
que procura a própria voz no barulho do moinho.

Entre o caos e a calmaria existe uma decisão,
entre a raiva e a coragem existe transformação,
entre a queda e a subida existe reconstrução,
e o impossível às vezes só precisa de ação.

(Ponte)

Pineal aberta, visão desperta,
mente sem grades, janela aberta,
quem planta verdade não colhe derrota,
a luz atravessa qualquer porta.

(Refrão Final)

Eu sigo na frequência da cidade e do tambor,
misturando cicatriz com perfume e com suor,
se a noite fecha portas, eu transformo em corredor,
porque quem nasce pra recomeço não se curva pra dor.

No batuque da alma, no balanço do calor,
na fumaça dissipando pra mostrar o seu valor,
cada passo é resistência, cada verso é elevador,
subindo contra a gravidade desse mundo sem amor.

17 maio 2026

Recomeçar

Título: Onda de Recomeço
Existe uma onda no silêncio
Viajando além da escuridão
Carregando a nossa dor
Em cada batida do coração
Quantas vezes eu pensei perder
Quantas noites sem direção
Mas Deus soprou no universo
Uma nova vibração
E o som da esperança
Veio me reconstruir
Como a fênix entre cinzas
Eu nasci pra prosseguir
Toda lágrima tem eco
Todo medo vai passar
Quando a alma encontra amor
Ela aprende a levantar
Recomeçar!
Mesmo ferido eu vou vencer
Na união dos que escolheram não morrer
Recomeçar!
Quando o mundo desacreditar
Deus transforma a queda em força pra lutar
E a onda sonora do céu
Invade o coração
Levando vida onde existia solidão
Recomeçar!
A fênix voltou a viver
O universo inteiro canta:
‘Você nasceu pra vencer’
Cada abraço cura um pouco
Cada voz pode salvar
Há milagres escondidos
Em quem decide caminhar
Não existe fim pra quem acredita
Nem prisão pra quem perdoou
O amor rompe correntes
Que a própria dor criou
E mesmo em noites vazias
Quando tudo desabar
Deus acende novas estrelas
Pra guiar quem quer voltar
Sobe a onda
Vai crescendo
Vai curando
Vai ardendo
Toda culpa
Vai caindo
Toda vida
Ressurgindo
Deus está aqui
Deus está aqui
Deus está aqui
No Recomeçar
Recomeçar!
Mesmo cansado eu vou vencer
Porque existe um novo amanhecer
Recomeçar!
Toda ferida vai cicatrizar
O amor de Deus veio pra restaurar
E a onda sonora do céu
Traz vida outra vez
Transforma cinzas em esperança
E fraqueza em lucidez
Recomeçar!
A fênix voltou pra voar
E quem caiu ontem à noite
Hoje já pode cantar

29 abril 2026

AMOR E MIÇANGAS...

Mig, Teta de Iaia, Vizinho… ele coleciona apelidos como quem coleciona carinho. Mas, no fim, ele é o Miguel. Meu afilhado. Amor da Dinda.

Ontem ele resolveu investigar o mundo… começando pelas miçangas da blusa. Perguntou o que era cada uma. E a resposta, tecnicamente impecável, foi: uma miçanga, outra miçanga, mais uma miçanga…

No meio disso, risada. Minha e dele. E claro, ele voltava tudo de novo pra conferir, porque aparentemente precisão científica é importante quando se trata de miçangas... risoss

É simples, é pequeno… e é gigante ao mesmo tempo. Muito amor envolvido.

E tem um detalhe que sempre me atravessa: eu participei do parto dele. Eu cortei o cordão umbilical. Não é metáfora bonita, é literal mesmo. Daquelas experiências que não se explicam direito, só ficam guardadas num lugar muito sério dentro da gente.

Tem gente que entra na nossa vida. Ele nasceu dentro da minha.

26 abril 2026

Feliz 51, Fê!! Do Jardim de infância para a vida... 27/04/2026...







Fê,

Hoje o tempo parou um pouco aqui dentro de mim… porque não é qualquer dia. São 51 anos da tua existência, e isso carrega um peso bonito demais pra caber em palavras simples.

A gente se escolheu lá atrás, quando nem sabia direito o que era a vida. Desde o jardim de infância… quem diria que aquelas duas criaturinhas, cheias de sonhos e sem noção do que o mundo faria com elas, chegariam até aqui ainda de mãos dadas? Não é sorte. Não é acaso. É vínculo de alma.

Tu foste abrigo quando tudo em mim era tempestade. Foste presença quando o mundo parecia vazio. E, mesmo quando a vida tentou nos puxar para caminhos diferentes e difíceis, a gente nunca se soltou de verdade. Porque o que existe entre nós não é frágil… é raiz.

Hoje, olhando pra tua história, eu vejo força. Vejo resistência. Vejo uma mulher que enfrentou dores que muita gente nem imagina, e mesmo assim segue sendo luz, beleza... E eu tenho um orgulho quase impossível de explicar por poder dizer: ela é a minha melhor amiga!!!!!!

A verdade é que o tempo pode levar muita coisa… mas não leva o que a gente construiu. Não leva o cuidado. Não leva a lealdade. Não leva esse amor firme, que não depende de fase boa pra existir, e principalmente, não leva as lembranças!

E eu quero que tu saiba, com toda a clareza do mundo: daqui pra frente, é nós. Nós nos cuidando, nos levantando, nos protegendo, nos lembrando quem somos quando a gente esquecer.
Nós sendo casa uma da outra, até quando o resto do mundo não fizer sentido. Tu te afasta e eu respeito, mas meu pensamento está quase todos os dias em ti, eu sonho contigo e mato a saudade, sonho quase todos os dias... 🙃

Que esses 51 não sejam só uma marca no tempo, mas um símbolo de tudo que tu já superou, e de tudo lindo que ainda está por vir.

Eu te amo com uma intensidade que não diminui, só amadurece.
E sigo aqui... Como sempre vou estar.

Feliz vida!
Te amo!
Quando vamos comer sushi? Chegou minha vez de pagar... 😁

18 fevereiro 2026

Com amor, Mamãe

Meus filhos,
Gabriel, Yasmin e Isadora

Escrevo essa carta com o coração aberto, sem defesas, sem desculpas técnicas, sem justificativas. Apenas como mãe.

Houve um tempo em que eu não consegui estar como vocês mereciam. Houve dias em que as drogas falaram mais alto que a minha voz, mais presentes que o meu colo, mais fortes que o meu amor visível. E eu sei que isso gerou silêncio, medo, vergonha, raiva, confusão. Sei que, muitas vezes, vocês se sentiram sozinhos mesmo estando comigo.

Nada disso foi culpa de vocês. Nunca foi.

Hoje eu entendo que a dependência química é uma doença, mas também entendo que ela não anula a dor que causa. Por isso, não escrevo para explicar, escrevo para reconhecer. Reconhecer o sofrimento que vocês viveram. Reconhecer as lágrimas que talvez tenham escondido. Reconhecer o peso de serem filhos de uma mãe que, por um período, esteve ausente de si mesma.

Mas também escrevo para dizer algo com toda a força que existe em mim: eu nunca deixei de amar vocês. Mesmo nos dias em que eu estava perdida, o amor por vocês estava ali, soterrado, mas vivo. Foi esse amor que me puxou de volta. Foi pensando em vocês que eu busquei tratamento, que eu levantei, que eu escolhi ficar limpa, só por hoje, todos os dias.

Hoje eu sou outra mulher. Não perfeita, mas consciente. Presente. Responsável. E profundamente grata por vocês terem permanecido, cada um à sua maneira, mesmo quando era difícil permanecer.

Se eu pudesse, voltaria no tempo para segurar suas mãos em todos os momentos em que vocês precisaram de mim. Como não posso, eu escolho estar aqui agora. Inteira. Sincera. Aberta ao diálogo, ao afeto, às memórias difíceis e às novas memórias que ainda vamos construir.

Vocês não são marcados pelo meu passado. Vocês são livres. São fortes. São amor.

E eu sou, todos os dias, uma mãe em reconstrução - e em amor permanente por vocês.

Com amor, respeito e verdade,
Mamãe!