(Verso 1)
No concreto molhado da avenida sem nome,
cada rosto carrega um universo que consome,
luz de mercúrio, buzina e oração,
um santo grafitado vigia a contramão.
A esquina vende sonho parcelado em prestação,
a alma pede calma, o mercado quer cifrão,
eu vi gigante cair por causa da própria ambição,
e vi quem não tinha nada repartir o próprio pão.
A rua fala alto, mas ninguém quer escutar,
todo mundo conectado sem saber se conectar,
o relógio corre solto, ninguém consegue frear,
e o futuro chega cedo sem pedir pra entrar.
(Pré-refrão)
Poeira sobe, o coração responde,
quem sabe onde a verdade se esconde?
O céu pergunta, ninguém responde,
mas a esperança ainda sabe o nome.
(Refrão)
Eu sigo na frequência da cidade e do tambor,
misturando cicatriz com perfume e com suor,
se a noite fecha portas, eu transformo em corredor,
porque quem nasce pra recomeço não se curva pra dor.
(Verso 2)
Tem guerreira levantando o mundo antes do amanhecer,
tem poeta sem plateia ensinando a viver,
tem criança desenhando um planeta pra crescer,
e adulto desaprendendo tudo pra reaprender.
No compasso da quebrada gira a roda do destino,
cada erro vira mestre quando encontra o raciocínio,
não existe linha reta no caminho do menino,
que procura a própria voz no barulho do moinho.
Entre o caos e a calmaria existe uma decisão,
entre a raiva e a coragem existe transformação,
entre a queda e a subida existe reconstrução,
e o impossível às vezes só precisa de ação.
(Ponte)
Pineal aberta, visão desperta,
mente sem grades, janela aberta,
quem planta verdade não colhe derrota,
a luz atravessa qualquer porta.
(Refrão Final)
Eu sigo na frequência da cidade e do tambor,
misturando cicatriz com perfume e com suor,
se a noite fecha portas, eu transformo em corredor,
porque quem nasce pra recomeço não se curva pra dor.
No batuque da alma, no balanço do calor,
na fumaça dissipando pra mostrar o seu valor,
cada passo é resistência, cada verso é elevador,
subindo contra a gravidade desse mundo sem amor.